terça-feira, 22 de abril de 2014

ORIGENS HISTÓRICAS DOS MOVIMENTOS FASCISTAS Nas duas primeiras décadas deste século ocorreu o apogeu e o início do declínio da Europa no mundo. E entre estes dois fatos está o primeiro conflito mundial de 1914 a 1918, os movimentos fascistas surgem a partir do seu final. Localizam-se aí a origem histórica dos movimentos fascistas. A análise da conjuntura histórica que caracteriza a eclosão dos movimentos fascistas só é inteligível se considerarmos que a própria estrutura do capitalismo em crise ou melhor, em transição que determina o surgimento do fascismo. A Primeira Guerra Mundial ocorreu depois de um período prolongado de “paz armada”, marcado por competições coloniais intensas e manobras diplomáticas para assegurar o equilíbrio do poder europeu e mundial. A guerra proporcionou as transformações na sociedade liberal. Foi o início do declínio da Europa no mundo. A guerra civil europeia foi o primeiro grande acontecimento a acelerar a mudança que resultou na catástrofe de 1945, Primeira Guerra Mundial, esta resultou num profundo desequilíbrio político e econômico internacionais. Com a Primeira Grande Guerra Mundial ocorreram acontecimentos para o desenvolvimento da sociedade capitalista: a Revolução Russa de 1917, esta foi ponto de partida para a construção de um outro tipo de sociedade e a intensificação dos movimentos nacionalistas anti-coloniais. A sociedade liberal estava em seu apogeu e logo a seguir, diante da sua própria decadência, o primeiro grande conflito mundial. Antes de 1914, a sociedade se mantivera num nível satisfatório de funcionamento das instituições liberais, sendo estas um sistema aberto e os direitos individuais são exercidos. Ao nível de Estado, interesses e aspirações de todas as classes sociais são interpretadas pelas organizações político-partidárias. O regime parlamentar faz valer os interesses e aspirações das classes da sociedade. Com a Grande Guerra, o sonho liberal transformou-se em pesadelo. Problemas antigos e novos surgiram fortemente sendo necessária a intervenção do Estado nos problemas econômicos e políticos. Houve uma ampliação da atuação do Estado, este assume o papel de agente imparcial, mediador, decidir conflitos. A “economia de guerra” foi um prelúdio para as variadas formas de intervencionismo postas em prática no após-guerra. Em plena guerra, com a intervenção do Estado em expansão, todos tem a esperança da construção de uma nova sociedade ao fim do conflito, mais justa e menos desigual. Em 1918, com o término da Guerra, a situação europeia revela a negação das expectativas otimistas durante a guerra: inflação, alto custo de vida, queda de salários, desemprego, greves. Uma crise que assume a aparência nítida do caos e em meio à qual parece despontar, através de revolução, uma nova sociedade. Crise econômica e crise política: o sistema liberal mostra-se inerte diante da explosão dos conflitos sociais. A revolução é revolucionária para uns e conservadora para outros. Revolucionária para os líderes do proletariado, os sindicatos e partidos socialistas. Conservadora para os proprietários de terras, pequena burguesia. A revolução revolucionária aos olhos de seus opositores é tipicamente socialista. Antes de efetivar a revolução era preciso deter a “revolução vermelha”, liderada pelos bolchevistas, comunistas e pacifistas. No após-guerra, não faltaram líderes com habilidade de exprimirem ideias para a sua própria ascensão política. As condições estruturais e conjunturais imprimiam destaque as ideologias antiliberais, principalmente os socialistas marxistas e os fascistas. A partir de 1918, os movimentos socialistas e fascistas aceleraram a derrocada da sociedade liberal em crise. De acordo com P. Sweezy: O fascismo surge sob certas condições históricas específicas que são produto do impacto das guerras imperialistas de redivisão na estrutura social das nações capitalistas adiantadas. As condições preliminares básicas para o advento do fascismo são uma situação política e social instável em termos de equilíbrio e uma guerra de redivisão realizada ou em perspectiva. Já Poulantzas situa o fascismo no estágio imperialista do capitalismo, ou seja, as crises econômicas, as particularidades nacionais e as sequelas da Primeira Guerra Mundial não são causas primeiras do fascismo e sim elementos componentes de uma certa conjuntura daquele estágio. O essencial no estágio imperialista não é apenas o capitalismo monopolista mas o novo papel do Estado capitalista, ou seja, seu caráter de Estado intervencionista. O papel o estado nesta fase de transição é diferente daquela desempenhada no capitalismo monopolista. O Estado tende a retroceder para uma posição, embora ainda seja intervencionista, num grau menor. O impacto da guerra no plano economico e social foi profundo, contribuindo para problemas economicos e financeiros. Ocorreu a aceleração da concentração capitalista e perda da posição hegemônica. Na Alemnanha ocorreu uma crise monetária após a primeira Guerra, a inflação era marcante com reflexos sociais, representou uma catástrofe monetária na época. Diante desta crise a burguesia se beneficiou, enriqueceu e expandiu. O que gerou nas outras classes uma imagem da burguesia como aproveitadores da guerra e beneficiários da crise, exploradores do mercado. O proletariado contou com o apoio dos partidos socialistas. Eles faziam reinvidicações e exigiam salários mais altos e melhores condições de trabalho. Em 1919-1920 houve uma multiplicação dos movimentos grevistas que assumiram um caráter revolucionário. A classe média formada pelos pequenos empresários industriais, os comerciantes da pequena burguesia, profissionais liberais, funcionários públicos, os empregados do setor de serviços (comerciários, bancários), setores do clero, das forças armadas e das universidades. Eles demonstravam frustração: a grande burguesia aparece-lhes como egoísta e beneficiária do empobrecimento da classe média e a segunda frustração provém do movimento operário, diante da derrocada do regime e da própria sociedade liberal. A revolução socialista aparece como algo concreto para esta camada da sociedade. A classe média não teve meio para defender o seu nível de renda e aproxima-se cada vez mais dos níveis do proletariado industrial. Entre a burguesia, os meios industriais e financeiros associados ao capital monopolista, as insuficiências do sistema ao nível social e político complicam-se devido aos problemas internacionais da concorrência entre os grandes grupos econômicos das principais potências capitalistas. É necessário um Estado forte e intervencionista. A burguesia se aliou aos movimentos antiliberal e nacionalista. Uma minoria de grupos da classe média agita as palavras de ordem antidemocráticas, nacionalistas e contrários ao socialismo “bolchevista”. Unem-se os conservadores pertencentes à direita nacionalista e os socialistas nacionalistas (anticapitalistas). Eles tem em comum o sentimento de que o capitalismo e o liberalismo estão ultrapassados porém a desordem interna e o internacionalismo antipatriótico vinculado ao socialismo proletário devem ser combatido, além da impotência e inoperância do Estado liberal, o que tornava eminente uma revolução socialista. A burguesia se convenceu que somente um novo Estado, forte e oposto ao liberal, seria capaz de restaurar a ordem. Abria-se caminho às ideologias antiliberais da direita. Após a Primeira Guerra confrontam-se grupos e tendências novas e antigas tanto à esquerda quanto à direita. À esquerda estão os social democratas, e os recém criados partidos comunistas e à direita estão o fascismo e o grupo de direita conservador nacional, que enfatizam o nacionalismo. A guerra agitou os fascistas com o clima pseudo-revolucionário e os agentes da contra-revolução, os militares que saídos da guerra que se organizaram em defesa de seus interesses, àquilo que chamam confusamente de bolchevismo, onde incluem a própria sociedade liberal. Os novos componentes da direita, os bandos fascistas, representam a reação burguesa. Eles demonstraram eficiência no esmagamento das agitações operárias e das ameaças socialistas. A inércia do Estado faz com que multipliquem a sua ação. Surgiram as organizações fascistas. Elementos da ideologia fascista são as frustrações políticas dos setores nacionalistas tradicionais que viram nos resultados da luta uma humilhação ao sentimento nacional. Frustrações psico-social das populações e dos veteranos diante do que a guerra de fato proporcionou ao terminar. Nem uma sociedade socialista, nem uma sociedade capitalista regenerada de seus males, nada disso viera após o fim da Primeira Guerra Mundial. Uma terceira solução, nem capitalista, nem bolchevista; é neste sentido que o nacional-socialismo não apenas o alemão, mas aquele que integra os movimentos fascistas. União da ação fascista com o capital monopolista. A ação fascista tem como objetivo esmagar seus adversários e implantar o terror. Destruindo as organizações sindicais e socialistas, massacrando os líderes. Aceitando oficialmente a política liberal podiam utilizar o Estado para aplicar os seus métodos. Não teriam sobrevivido tanto tempo se não tivessem conseguiram apoio na grande burguesia industrial e financeira e na antiga direita nacionalista. Eleitoralmente o fascismo é antibolchevista e anticapitalista e afirma ser socialista. Teve o apoio da pequena burguesia e da classe média, entre a alta burguesia foi motivo de receio. Porém, diante da ameaça da revolução socialista de esquerda os setores nacionalistas conservadores se aliaram aos fascistas. O importante para a alta burguesia era o fortalecimento da ação econômica do Estado para possibilitar mais lucros. Estabelecida a adesão entre o fascismo e o capital monopolista, segue-se a divisão da ideologia fascista: fortalece o nacionalismo e relega-se ao campo da simples retórica o conteúdo socialista, enfraquecendo o anticapitalismo dos primeiros tempos. Ocorre a síntese do que há de mau no capitalismo, o judeu, o comunismo marxista e o capitalismo apátrico e explorador. Surge o antissemitismo. Entre 1918 e 1923, o fascismo revelou pela primeira vez essa nova face da sociedade capitalista. O segundo momento foi depois da Grande Depressão Econômica de 1929. Após 1929 ressurgiram ou agravaram-se as condições econômicas e políticas do período posterior a 1918. Nova onda nacionalista e militarista, antiliberal, retomam os argumentos contra a democracia reforçando os fascistas. A longo prazo sua ascensão dividiu o mundo capitalista entre governos fascistas e governos democráticos, revestindo a competição entre as potencias capitalistas que culminou em 1939 com início da Segunda Guerra Mundial. Concluindo: os movimentos fascistas resultaram de condições históricas ligadas à crise da sociedade capitalista burguesa posterior à Primeira Guerra Mundial. Em 1918, o que domina é um fenômeno de convergência de interesses políticos onde o fascismo aproveita-se dos demais e absorve-os, sendo o fascismo simultaneamente alterado ao longo do processo de absorção. O fascismo se identifica com o nacionalismo dos direitistas e militaristas e com o interesse do grande capital, a classe média fica com a promessa de socialismo nacional, ao mesmo tempo que mobiliza todos com uma exaltação nacionalista. O facismo agia com ação violenta contra pessoas, instituições e ideais, que consideravam perigosas e prijudiciais a realização de seus objetivos. Sua ideologia era não-ideologia. A ideologia fascista resulta de correntes de idéias anteriores ao movimento, sendo adaptadas e transformadas e sofrem ao mesmo tempo a influência de seus líderes. Possui uma técnica aperfeiçoada de comunicação de massas, cuja a grande base é a propaganda, a agressão, o fascismo manobra facilmente o seu instrumental ora nacionalista ora socialista de acordo com o momento ou o local.

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